Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Domingo, 17 de Outubro de 2010

Midnight Howl - Cap 21

Neela

 

Estava em casa sozinha e sentia-me miserável. Tinha evitado Jacob no bar mas porquê? A minha vontade era de voltar para ele, de lhe dizer que não acreditava nele mas que não tinha importância porque o amava. Kelly e Susan tinham tentado fazer-me esquecê-lo como boas amigas que são. Tentaram apresentar-me a dezenas de rapazes mas nenhum deles me interessava. Quando olhava para eles, não via ninguém a não ser o Jacob, o meu Jacob... Sou patética!! Porque é que reagi daquela maneira? Ok até tinha razão para ter reagido assim mas exagerei um pouco, podia tê-lo deixado acabar de falar, e em vez disso fugi de novo para Nova Iorque. Idiota...

Eram 22h e de certo que ele àquela hora estava em casa. Não aguentei mais aquela angústia e peguei num casaco e numa carteira e saí. Tinha de falar com ele e não passava de hoje. Tinha de lhe dizer que o queria de novo junto a mim, que sentia falta dele, enfim, tudo! Apanhei o metro e saí na estação do Central Park East. Ora a casa dele ficava do outro lado portanto o inteligente a fazer era atravessar o parque para poupar tempo. Assim fiz. Entrei no parque, embrenhando-me na escuridão e percorri o parque para chegar ao outro lado. Estava a meio do caminho quando ouço um ramo atrás de mim a partir. Como não estava á espera assustei-me e olhei para trás. Nada.

Achei estranho e senti-me a ser observada mas olhava para todos os lados e não via nada. O parque á noite era perigoso, principalmente para uma rapariga sozinha. Burra, esqueci-me da primeira regra de sempre: nunca ir pelo meio do Central Park á noite, sozinha! Para ser violada, roubada ou mesmo morta era um instante. Mas perdida nos meus pensamentos, nem me lembrei de tal coisa, típico.

Acelerei o passo mas a sensação de estar a ser observada só se intensificava. Olhei para trás por puro instinto e quando voltei a olhar para a frente estava um homem á minha frente. Parei imediatamente e fiquei especada a olhar para ele. As minhas pernas só gritavam para fugir mas a minha cabeça dizia que isso seria uma ideia ainda pior. O homem, que não teria mais do que 25 anos, era bastante pálido. Estava a sorrir, como se tivesse ganho alguma coisa. Observei-o melhor e sobressaltei-me com os seus olhos: eram do vermelho mais puro que tinha visto.

- Calma querida, não quero que desmaies, senão não tem piada. - disse-me ele, sorrindo abertamente. A voz dele era suave como veludo mas os olhos davam-me arrepios.

- Que queres? - perguntei. Diga-se de passagem que era algo muito estúpido de se perguntar, claro que ele me queria violar ou algo do género.

- Eu? Eu quero beber esse teu sangue delicioso. - respirou o ar. - Cheiras tão bem. - aquilo não fazia sentido, ele era canibal?? Queria o meu sangue?

- O meu sangue??

- Sim. És mesmo humana, ficam sempre confusos... - sorriu.

 

Não conseguia formular mais palavras, não estava a fazer sentido nenhum. Nós humanos? Mas então que pensava ele ser?? Estava de facto confusa, não ia mentir. Os seus olhos não faziam sentido, as suas feições perfeitas eram fora do normal, a sua voz era como nada que tivesse ouvido. Não entendia...

Mas antes que pudesse formular uma frase que fosse, alguém se colocou entre mim e aquele estranho homem. Olhei melhor para ver quem era. Reconhecia aquele cabelo em qualquer lado: Jacob.

- Jake?? - disse, espantada. Não entendia o que ele estava ali a fazer, porque estava a enfrentar aquele homem?

- Oh por favor, só podes estar a delirar. - comentou o homem dirigindo-se a Jacob. - Achas mesmo que me podes derrotar humano idiota? - disse, quase cuspindo as palavras.

- Infelizmente para ti não sou como todos os humanos. - disse Jacob. Como tinha saudades da voz dele mas não era a voz que me lembrava. Estava mais dura, mais agressiva e o que ele tinha dito não fazia sentido. Não era como todos os humanos? Mas ele ainda estava com aquela coisa que era lobo?? Ainda ia morrer a tentar proteger-me.

- Pois não, cheiras bem pior que essa beldade atrás de ti. - disse o homem, dirigindo o seu olhar para mim, enquanto passava a lingua nos dentes. Arrepiei-me. E para mim o Jacob sempre tinha cheirado bem, aliás bastante bem. Cheirava a pinheiro e a madeira, adorava. Olhei melhor para Jacob e vi que ele estava a tremer. Seria por estar nervoso?

- Eu sei o que tu és. - disse Jake e o vampiro perdeu o sorriso que tinha, como se tivesse levado um estalo na cara.

- Então devias saber que não tens hipóteses contra mim.- respondeu. - Mas não faz mal, assim tenho duas refeições numa noite, óptimo. Vou tratar de ti primeiro. Mas não te vou matar logo, não. Apenas deixo-te inválido o suficiente para não me interromperes enquanto sugo o sangue delicioso da tua queridinha. - voltei a arrepiar-me. Não ia conseguir suportar ver Jacob a ser ferido enquanto o outro me matava. - E adivinha lá, vou-te obrigar a ver, enquanto ela morre lentamente debaixo dos meus dentes. - riu-se.

 

Jacob tremeu intensamente e um som, como um tigre quando rosna, brotou da garganta dele. Até eu tremi com a intensidade daquele som. Ainda mais confusa fiquei. Como é que ele conseguia rosnar?? Não fazia sentido, nada disto fazia sentido! Só queria pegar na mão de Jake e fugir com ele para muito longe, para longe daquele homem horrível e lunático! Olhei para o homem, espreitando por cima do ombro de Jake e vi-o a ficar ligeiramente mais pálido. Pelos vistos estava a perceber tanto como eu.

- Que se passa? Já estás com medo é? - desafiou Jacob.Pude jurar que estava a sorrir.

- Não és humano... - disse.

- Não totalmente. - respondeu Jacob.

- Então tenho pena de destruir uma criatura como tu, seja lá o que fores. - disse o homem e o que se passou a seguir foi demasiado rápido para perceber.

 

O homem saltou para Jacob, de boca aberta, pronto para o morder, mas antes que pudesse ver o que Jacob ia fazer, um urso enorme estava no seu lugar, agarrando o homem pelo pescoço e separando-o do resto do corpo. Mas...onde estava Jacob?? Olhei para o corpo inanimado do homem pálido. A cabeça tinha sido totalmente arrancada dos seus ombros mas não havia sangue. Nem uma gota! O corpo do homem parecia ser feito de pedra e não de tecidos.

Olhei para o urso e constatei que afinal não era urso nenhum, mas sim um lobo. Gigante, cerca do triplo de um lobo normal. Ele olhava-me á espera de ver o que ia fazer. Reconheci os seus olhos castanhos como a terra e meigos, era sem dúvida Jacob. Não podia acreditar no que estava a ver. Afinal Jacob tinha-me dito a verdade o tempo todo e eu estupidamente não quis ouvir! Como me sentia idiota neste momento...

O lobo castanho levantou-se e foi até ás árvores. Pensei que se iria embora, visto que não reagia.

- Não, espera Jake... - disse-lhe, caminhando para o lugar onde ele tinha ido mas quando voltou já vinha na sua forma normal. Ia sorrir, correr para os seus braços e beijá-lo, pedir que me perdoasse mas o meu sorriso não teve tempo de existir. Jacob permaneceu perto das árvores, com as mãos nos bolsos, como se tivesse medo de mim... Medo que o magoasse outra vez...

- Estás bem? - perguntou-me, num tom duro, tom que nunca tinha usado comigo. Mas vi nos seus olhos que o seu tom de voz não reflectia o que estava mesmo a sentir.

- Ahm sim, acho que sim... - foi tudo o que consegui dizer. Apontei para o corpo do homem, ainda estava confusa. - O que... - quis perguntar, mas não sabia como formular a pergunta. Devia dizer quem é ou o que é?

- Vampiro. - respondeu-me secamente.

- E tu? - perguntei.

- Lobo, tal como te tinha dito. - respondeu, atirando-me as palavras. Claro...tinha-o magoado, tinha-o chamado louco! Sentia-me horrível, estava com nojo de mim mesma por o ter tratado daquela maneira.

- Não compreendo... - disse simplesmente, pois não compreendia mesmo como era possível existirem estas criaturas que deviam supostamente ser lendas!

- Neela, não tenho tempo para te explicar. tenho que incendiar o corpo dele antes que a policia chegue.

 

Passou por mim de isqueiro na mão e pegou fogo ao corpo. Rodei nos meus pés para ver o que ele fazia e depois ele virou-se para mim. Já sabia o que vinha a seguir. Ele iria desabafar tudo, ia-me atirar tudo o que lhe tinha dito e eu não sabia como lhe pedir desculpa. Ele virou-se para mim e vi nos seus olhos a dor que tinha passado nestes últimos meses.

- Tudo o que te contei era verdade e chamaste-me doido. Nem me deixas-te acabar de falar, podia ter-te mostrado. - olhei para o chão. não tinha coragem de enfrentar o seu olhar magoado. - Mas decidis-te deixar-me sozinho, sem uma explicação, foste assim sem mais nem menos e estás mesmo á espera que te aceite de volta assim? - disse. Senti o ardor das lágrimas a vir ao de cima mas controlei-as.

- Mas Jacob...eu amo-te. Sempre te amei, sofri tanto nestes últimos meses, eu ia hoje a tua casa para falar contigo. Que achas que estava aqui a fazer? - disse-lhe. Queria tanto que ele me perdoasse, mas sabia que ele não ia voltar atrás. Ele sofreu bem mais do que eu. Levantei o olhar para olhar para ele e vi os seus ombros a relaxarem um pouco.

- De qualquer maneira o que me disseste, o que fizeste Neela, doeu-me mais a mim do que a ti. Chamaste-me doido! - disse e eu sabia que era verdade. Só o queria abraçar e pedir desculpa. Dei um passo na direcção dele mas ele recuou. - Se de facto me queres de volta, vais ter de me provar que posso confiar em ti e que tu confias em mim.

- Como?

- Não sei, mas não te posso aceitar assim, por muito que seja essa a minha vontade. - senti uma centelha de esperança, ele queria voltar para junto de mim mas não o ia fazer até eu provar que confio nele e que ele pode confiar em mim.

- Ok, compreendo... - respondi.

- Nunca te esqueci Neela, mas tens de me provar que me amas e que confias em mim.

 

Aproximou-se a beijou-me o topo da cabeça. O toque fez com que a corrente eléctrica característica entre nós, voltasse a percorrer o meu corpo como dantes. Respirei fundo, sentindo o seu cheiro a madeira e ele afastou-se. Fiquei ali no parque mais um pouco, sem saber o que fazer. Decidi ir para casa, precisava de pensar, de processar a noite de hoje, tudo o que se tinha passado.

Cheguei a casa e fui directamente para o meu quarto, deitando-me na cama. Jake tinha-me dito a verdade este tempo todo e eu, como uma visionária obtusa que sou, não quis acreditar. Agora ele tinha perdido a confiança em mim e queria uma prova de que podia confiar em mim outra vez. Apesar de saber que ele tinha tantas saudades minhas como eu tinha dele, não me ia aceitar de volta com um mero pedido de desculpas. Tinha de pensar numa maneira de o conquistar.

Passei grande parte da noite a pensar em todo o tipo de soluções mas uma parecia mais ridícula que a seguinte... Bah, já não consigo pensar!! O Tico e o Teco já estavam em conflito, era demasiada informação para processar num único dia. Adormeci agarrada á minha segunda almofada, como fazia todas as noites, imaginando que estava abraçada ao meu Jacob...

«Vou-te provar que podes confiar em mim, nem que seja a última coisa que eu faça...»

 

Ps: Espero que estejam a gostar :S

Por favor cmentem, pois só assim sei se estão a gostar

e isso motiva-me a escrever mais :)

Bear Hug*

publicado por Suky ♥ às 11:58
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5 Moonlights:
De Filippa a 17 de Outubro de 2010 às 13:08
Ah pois agora já acredita no Jake não é? -.- Essa Neela pah só mesmo à chapada xD (estou a brincaaaar xD)
Mais :D
Beijinhos *


De Suky ♥ a 17 de Outubro de 2010 às 13:09
Sim de facto só mesmo xD
Mas o Jake não a vai aceitar facilmente. :)
Beijinho


De Andrusca ღ a 23 de Novembro de 2010 às 20:52
Adorei a maneira como ela descobriu (apesar de o Jake já lhe ter dito -.-') a verdade *.*
Ela é muito esperta, era bom que agora acreditasse e acabasse aqui, mas não, o Jake tem toda a razão em não a aceitar facilmente!

Ps. Desculpa ter estado afastada estes ultimos dias :s


De srat a 22 de Dezembro de 2010 às 00:37
Esta fanfic tá o máximo ....
parabéns... XD


De Suky ♥ a 22 de Dezembro de 2010 às 00:42
Awww brigado :D


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