Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Quinta-feira, 14 de Outubro de 2010

Midnight Howl - Cap 19

Já estava em Nova Iorque há quase um mês e as feridas que Neela me tinha infligido começavam finalmente a sarar. Cameron estava delirante por voltar a ter o seu amigo de volta, deve ter sido difícil aturar-me durante uns tempos. Começava a sentir-me melhor, capaz de respirar. Claro que ainda sentia falta de Neela e ia sempre sentir falta dela mas estava finalmente a "habituar-me" á ideia. Nestas semanas em que aqui estive ainda não a encontrei. Por um lado é bom, assim é mais fácil de ultrapassar a dor mas por outro gostava de a poder ver outra vez.

As minhas memórias dela começavam a ficar cada vez mais enovoadas, já não sabia como era o cheiro dela, ou a sensação do seu abraço... Claro que este tipo de pensamentos não partilhava com ninguém, nem mesmo com Cameron. Preferia ficar com eles só para mim, a partilhá-los e depois ouvir o sermão do costume que tenho de a esquecer. Talvez devesse, mas sabia que seria impossível, amava-a para todo o sempre.

Visto que o meu humor andava melhor, também passei a sair mais vezes com os meus amigos, isto também porque eles faziam questão de não me deixarem sozinho em casa. Tinham medo que entrasse no meu estado depressivo outra vez. Eu saia com eles de bom grado, afinal de contas ajudava a distrair!

(...)

Estava a trabalhar e hoje o dia estava calmo, o que era normal, afinal de contas o Inverno estava a chegar e os bares/ cafés perto da praia começam a perder a grande clientela do Verão. No entanto ainda temos clientes suficientes durante o Inverno para mantermos as portas abertas o ano todo. Hoje estava a servir ás mesas, o Hank tinha o pé magoado portanto não era conveniente andar muito. Á hora do almoço, Dean entrou no café de cabelo molhado, claramente tinha estado a surfar.

- Então pessoal?? - cumprimentou sorrindo.

- Olá meu. - disse eu e Hank.

- Ei Jake, serve-me aí grande sandes americana com uma Coca-Cola. - pediu e eu ri-me.

- Ok ok. - fui á cozinha e pedi a sandes e servi-lhe a cola. - Então novidades?

- Bem, sabem que no sábado faço anos certo? «Eu lembrava-me, tinha andado a falar nisso a semana toda!!»

- sim Dean, nós sabemos.

- Bem, estou a pensar fazer um jantar/after party, 'tão a ver?

- Ok, onde? - perguntou Hank.

- O jantar vai ser na melhor pizzaria de todos os tempos, Papa Luigi.

- Bem boas. - disse.

- Ya. E a after party, estava a pensar irmos a um bar, com uma musiquinha e tal, para o convívio.

- Parece-me bem. - disse-lhe. - Podes contar comigo.

- Não esperava outra coisa de ti, meu.

- Eu ao jantar posso, á after party já não prometo nada. O meu pé pode ainda não estar recuperado até lá e não quero estar a forçá-lo. - explicou Hank.

E assim ficou combinado. Sábado havia festa, o que era óptimo andava um pouco aborrecido e apetecia-me mesmo sair. Assim distraía-me e não pensava na minha princesa... Suspirei. Nunca mais a tinha visto, nem sequer tinha noticias dela através de amigos mútuos, nada. Não sabia se estava bem ou mal, se ainda pensava em mim ou se já me tinha esquecido por completo. Esperava que não... O meu pai e o Sam disseram que é muito difícil para uma marcação se manter afastado ou não se sentir atraído pelo respectivo marcador. Talvez ainda houvesse esperança de ela voltar para mim. Esperava que eles tivessem razão.

 

**

 

Sábado tinha chegado e estava ansioso por ir á festa com o resto do grupo. Já tinha tomado banho e estava a vestir-me. Íamos todos encontrar-nos na pizzaria, visto que toda a gente sabia onde era. Eu tinha-me de arranjar mais cedo porque ainda tinha de ir buscar a Cameron. Vesti umas calças de ganga escuras e uma camisa branca. Arregacei as mangas como era costume, deixei uns botões aberto e pus o meu relógio no pulso direito e uma pulseira que Cameron me tinha oferecido no outro. Calcei as minhas sapatilhas brancas e saí.

Aquela hora era horrível para andar pela cidade. Era a hora de toda a gente ir para casa vinda do trabalho e estava um trânsito de fugir! Mas lá consegui chegar a casa da piolha. Toquei á campainha e ela veio abrir a porta com uma toalha enrolada na cabeça. Ri-me da cena, parecia que ia para Marrocos.

- Olá peludo. Só me falta secar o cabelo. Entra. - disse-me ela, dando-me um beijo na bochecha quando entrei.

- Ainda temos tempo, eu é que saí mais cedo por causa do trânsito. - expliquei.

- Na boa lobeco. Volto já sim? - disse, enquanto subia as escadas para o quarto.

- Ok ok.

 

Olhei em volta, procurando algo que me distraí-se enquanto esperava por ela. Conhecendo-a como conheço "secar o cabelo" era mais elaborado do que apontar um secador e retirar a humidade do cabelo. Envolvia secar, esticar com a escova, secar mais uma vez e cera para dar o efeito roqueiro de sempre, portanto uns 20 minutos de aborrecimento. Sentei-me no sofá e liguei a TV. Fiz zapping até encontrar aquilo que queria, as noticias.

Estavam a falar de um acidente numa fábrica de tintas, que tinha havido um incêndio. Deixei ficar, afinal era melhor do que as novelas! Depois uma noticia chamou-me a atenção.

 

"Uma série de desaparecimentos na cidade de Nova Iorque anda a preocupar a polícia. Nesta última semana já desapareceram 3 pessoas, duas delas adolescentes entre os 14 e os 20 anos de idade.

As autoridades pensam que se trata de um serial killer, mas ainda não existem provas concretas pois não existe qualquer tipo de padrão especifico. Continuaremos a seguir esta noticia..."

Deixei de ouvir o que a locutora estava a dizer. Desaparecimentos? Serial killer? conhecendo o mundo como conheço, apostava que era algo mais complexo que um serial killer. Teria de ligar ao Edward para saber se ele também tinha achado estranho esta noticia. Mas hoje não. Hoje ia curtir.

Cameron finalmente desceu, com o seu cabelo no seu estado mais roqueiro (que eu adorava) e saímos. Chegámos ao restaurante e já lá estava a maioria das pessoas. Quando chegámos á beira deles, Dean decidiu entrar pois a hora da reserva estava a aproximar-se, portanto quem falta-se entrava e ia para a nossa beira depois.

Comemos as pizzas maravilhosas enquanto conversávamos. Já toda a gente se tinha habituado ao meu apetite voraz, portanto também já não me dava ao trabalho de tentar comer menos. Aliás, muitos dos rapazes perguntavam-me como conseguia comer tanto e estar em forma. A minha resposta inteligente era dizer que tinha bons genes.

Depois de jantar fomos para o bar, que ainda não estava a abarrotar. Nós, eu, Cam e Frank, tínhamos preparado uma pequena surpresa no bar. Tínhamos pedido para nos guardarem um bolo e cantaríamos os parabéns lá, com o DJ a anunciar  a toda a gente do bar quem era o aniversariante.

Estava tudo a postos e eu dei sinal ao DJ e Cameron foi buscar o bolo para o colocar na nossa mesa. O DJ parou a música e anunciou.

- Desculpem parar a música mas hoje é um dia muito especial para o Dean! Faz hoje 24 anos!

 

Dean ficou vermelho que nem um tomate. Cameron chegou com o bolo e todos bateram as palmas e cantámos os parabéns. Estavamos a bater as palmas quando olhei para o bar e vi a Neela. Pensei que estava a alucinar, que era a minha mente a criar visões daquilo que mais desejava voltar a ver.

A minha memória não tinha feito jus a Neela. Era bem mais bonita na vida real do que na minha imaginação. Mas também reparei em algo que nunca tinha visto antes. Observei-a melhor e pude ver que tinha marcas de olheiras, que deviam ter desaparecido á pouco tempo. Ou seja, também tinha passado um mal bocado, não tinha sido só eu a sofrer com a separação. Estava a confirmar a teoria de Sam, que mesmo que não queira, Neela gosta de mim pois há uma atracção natural entre nós.

Depois os seus olhos cruzaram com os meus. Os seus olhos castanhos como o chocolate, doces e meigos, que tinham simplesmente perdido a vida a que estava habituado a ver. Quando os nossos olhares se cruzaram, juro que vi um pequeno brilho no seu olhar, que rapidamente passou para tristeza e aborrecimento. Cameron também tinha visto Neela e estava a observar o que ia fazer.

Precisava de falar com ela. Não tinha ido á procura dela, como ela me tinha pedido, portanto podia ir falar com ela certo? Não a tinha perseguido até ali... Mas sabia que se fosse lá, ainda corria o risco de sair de lá com o coração despedaçado mais uma vez. Mas por outro lado que tinha eu a perder?!

Respirei fundo e comecei a andar entre a multidão que se juntava para ver quem era o aniversariante e dar-lhe as felicidades. Os meus olhos estavam pregados aos de Neela e vi uma centelha de receio no seu olhar quando me viu a dirigir-me para ela. Mas a minha caminhada foi interrompida por uma mão a agarrar-me o braço. Olhei para trás e vi a Cameron.

- Jake, que vais fazer? - perguntou-me, preocupada.

- Tenho de falar com ela. - disse-lhe.

- Jake...ela já te partiu o coração uma vez. É muito cedo! - disse-me. Eu sabia que ela tinha razão, mas tinha tanta vontade de falar com a minha princesa.

- Mas Cam... Pode ser a única oportunidade que vou ter! - insisti.

- Jake, não andei um mês a comer gelado na tua cama contigo e a fazer serões de cinema para curar a tua apatia para caíres numa outra vez. - ralhou-me. - Jake, é muito cedo, tanto para ela como para ti. Para além disso, ela é que te deu tampa, se te quiser de volta, que venha ela falas contigo!

- Pois eu sei... - admiti.

- Já te dei a minha opinião... Agora faz o que achares melhor. Mas aviso-te, se engordar, a culpa é toda tua! - sorri e abracei-a.

- 'Brigado Cam.

 

Olhei para trás, para o balcão onde estava Neela e ela já não estava lá. Procurei-a pelo resto do bar e vi as suas costas a desaparecer pela porta do bar com as amigas. Cam tinha razão, era demasiado cedo, senão ela não tinha fugido assim de um bar só por eu estar ali. Fiquei triste mas não ia deixar que isso estraga-se a noite do Dean. voltei para a beira dos outros e comemorámos o resto da noite.

(...)

Quando cheguei a casa ainda me sentia um pouco estúpido comigo mesmo. Claro que era muito cedo, tinha-se passado um mês! Decerto que ela ainda estava aborrecida comigo, a achar que devia estar com um casaco de forças, numa sala almofadada ou algo do género.

Vesti o meu pijama e deitei-me. Haveria outras oportunidades de certeza... Era uma questão de ter paciência, mais nada. «Muuuiiita paciência!» suspirei e adormeci.

publicado por Suky ♥ às 13:55
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De tammy_love a 4 de Novembro de 2010 às 21:12
Oi... estou adorando a sua fanfic.....
Estou ansiosa para eles fazerem as pazes....
Obrigada por ires ver a minha fanfic....
Você viu quem são duas neeh.....
estou falando isso por que você comentou na minha fanfic nova....
Bjokas


De Suky ♥ a 4 de Novembro de 2010 às 22:26
Sim reparei que eram duas mas como a que comentei ia menos avançada, li essa primeiro :) Quando tiver tempo leio a outra ;)


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