Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Terça-feira, 12 de Outubro de 2010

Midnight Howl - Cap 18

No dia seguinte acordei antes do despertador tocar. Bem, se pensar bem, não dormi grande coisa, já andava a dormir mal há uma semana. A falta de descanso começava a notar-se. Sentia-me com os músculos doridos, constantemente cansado, sem ter feito nada na verdade. Mas isso também se devia á apatia em que tinha mergulhado.

Quando cheguei ao quarto de banho apanhei um susto. Não reconhecia o reflexo no espelho, não reconhecia a minha própria cara! Debaixo dos meus olhos começavam a aparecer umas olheiras, os meus olhos estavam vermelhos de não dormir direito e de chorar ocasionalmente, quando a dor era mais forte. A barba estava já com dois dias por fazer, parecia um sem abrigo... Era a pior visão que tinha visto. Até o meu tom de pele parecia ter ficado mais branco, ou talvez fosse impressão minha.

Esta apatia em que tinha entrado já durava há uma semana, mas sabia que eventualmente teria que a superar. No entanto, por enquanto, não queria sair dela. Precisava de tempo para sofrer, de curar as feridas, e antes de isso poder acontecer, ainda tinha muito para sofrer... Não que a ideia me agradasse mas a vida é assim!

Abri a água do chuveiro e enfiei-me debaixo dele. Tomei um banho quente e deixei a água bater nas minhas costas, com as mãos na parede. Ainda era difícil encaixar a ideia que Neela simplesmente não tinha acreditado em mim. Agora que pensava nisso, podia ter-me transformado para ela poder ver que não estava maluco,mas na altura não me ocorreu e se calhar ela ainda tinha um ataque cardíaco ou algo do género. Não queria propriamente matá-la...

Saí do chuveiro e fiz a barba. Hoje ia voltar a trabalhar e precisava de estar em condições. Não podia fazer nada quanto ás olheiras mas sempre tinha melhor aspecto de barba feita. Fui-me vestir e tomei o pequeno-almoço antes de sair para o Sea Wolf Caffe. Quando lá cheguei, Hank veio saudar-me todo alegre. Tentei ser o mais alegre possível mas estava a ser difícil disfarçar o meu mal estar. Vesti a minha "farda" e fui servir os clientes. Por volta das 10:30 houve menos movimento, no qual Hank aproveitou para falar comigo. Veio sentar-se á minha beira nos bancos do balcão.

- Então, meu? Que se passa contigo? - perguntou-me. Não me apetecia falar muito no assunto.

- Não é nada. É um daqueles dias em que acordas aborrecido por razão nenhuma sabes? - menti.

- Humm porque será que não acredito nisso? - pelos vistos também mentia mal agora...uf...

- Pois mas é a verdade. Para além disso cheguei tarde ontem, não dormi direito, estou só um pouco cansado mais nada. - insisti.

- Ok. Mas se precisares de falar, sabes onde estou.

 

Sorri e ele foi para a cozinha. Ele era um bom amigo, sem dúvida mas simplesmente não queria falar no assunto. Só me ia doer mais, o meu corpo já estava rasgado o suficiente.

Passei o resto da tarde no trabalho, mesmo com a insistência de Frank em ir para casa. Decidi ficar, ajudava-me a distrair, a não pensar naquilo que não devia, portanto não me importava de todo de trabalhar mais umas horas. No entanto, quando chegou a hora de fechar o café, não soube o que fazer. Talvez fosse jantar fora, ou então ir buscar a comida  comer enquanto via TV, se desse algo de interessante. Hum, tinha de ver.

Entrei no carro e deambulei pela cidade durante umas horas, sem destino, só a passear. Distraía-me, sabia bem não pensar que tinha sido abandonado. Então vi uma pizzaria, uma das minhas favoritas e decidi parar para comprar algumas para o jantar. Entrei no restaurante e o cheiro dominou-me as narinas. «Hummm que bom!» - pensei, enquanto me crescia água da boca.

Dirigi-me ao balcão e pedi três pizzas médias, uma tropical, uma havaiana e uma de pepperoni. Sentei-me no balcão enquanto esperava e peguei no telemóvel e pus-me a ver os contactos. Parei no nome de Neela e fiquei especado a olhar para o número dela. Raios, queria tanto ligar-lhe e pedir para que acreditasse em mim, que me desse uma oportunidade...mas lá no fundo sabia que não ia dar em nada. Ela nunca mais me ia querer de volta, sabia-o.

 

Flashback

 

- Jacob, pára isso faz cócegas! - riu-se a minha princesa, tentando afastar-me do meu súbito ataque de cócegas.

- Oh vá lá, ainda agora comecei, assim não tem piada!

- Não, tem piedade por favor! - ria-se.

 

Caiu em cima da minha cama ainda a rir-se como uma perdida e eu sentei-me em cima dela, continuando o meu ataque. Também me ria, o riso dela era contagiante, adorava o brilho do seu sorriso, levava-me ás nuvens. Então parei, pois nem eu estava a aguentar já. Neela aproveitou-se da minha pausa e empurrou-me para trás, e eu com a surpresa, caí de costas na cama. Neela trepou para cima de mim, deitando-se em cima de mim.

- E agora? - perguntou-me, com um sorriso maroto.

- Hum pois... Por favor não me tortures? - pedi, fazendo beicinho e ela riu-se.

- Bem que merecias. - deitou a cabeça no meu peito. - Mas não o vou fazer.

- Ainda bem.  - disse, abraçando-a e enterrando a minha cara no seu cabelo. Adorava o cheiro do champô dela, cheirava a coco.

- Podia ficar assim para sempre... - confessou, em jeito de desabafo.

- Também eu. - disse.

- Para sempre? - perguntou-me, olhando de novo para cima, com o cabelo todo de um lado da cabeça.

- Para sempre, babe. - sorri, enquanto lhe afastava o cabelo da cara e beijando-a.

 

Fim de Flashback

 

Pelos vistos não tinha sido para sempre... Tirei os contactos do visor e guardei o telemóvel no bolso. Tinha revivido um momento que só me vinha atormentar mais tarde, em forma de pesadelo, só me vinha pôr mais sal na ferida. «Idiota... Bem feita, não tivesses pensado nela.»

As pizzas finalmente chegaram e fui para casa. Coloquei as caixas na mesa de café e liguei a televisão. Procurei um filme ou uma série interessante e ali fiquei, a comer e a ver TV.

Já estava a acabar a segunda pizza quando senti o meu telemóvel a tocar. Como um idiota que sou, o meu coração disparou na expectativa que fosse Neela, e quando vi que afinal era Cameron, a ferida ardeu mais um pouco. Atendi.

- Peludo! - disse Cam.

- Olá Cam. - disse, no tom mais normal possível.

- O teu pai ligou-me, disse que...bem...a Neela e tu... - não terminou.

- Estou a ver...

- Ele está muito preocupado contigo e pediu-me para certificar que não te suicidavas ou algo do género. Ok não foi bem assim que ele disse mas tu percebes a ideia. - era tão trenga aquela rapariga. Não pude evitar sorrir um pouco, mesmo nos piores momentos ela conseguia fazer-me rir. -Anyway, estou aqui plantada á porta de tua casa e a tua campainha não funciona, pois já toquei 4 vezes e tu ainda não a abris-te.

- Estás aqui? - perguntei admirado. - Espera um pouco, já te abro a porta.

 

Desliguei o telefone e fui abrir a porta. Cameron subiu e deixei-a entrar. Mal fechei a porta ela atirou-se ao meu pescoço num abraço. Já não me lembrava como era bom ser abraçado; abracei-a de volta.

- Babe, lamento muito. - disse e soube que ela estava a ser sincera. Ela era assim, se precisasse de dizer que era um idiota dizia.

- Eu também.

 

Fomos para a sala e ofereci-lhe a outra pizza. Ela comeu metade e eu a outra metade. Depois ficamos a ver a série até ao fim e quando acabou Cameron tirou o som da TV e virou-se para mim. Eu não enfrentei o seu olhar, sabia que ia descair no momento em que visse os seus olhos.

- Queres contar-me o que se passou?

- Não há grande coisa para contar...

- Jake, vá lá. Posso só ser uma humana chata, meia maluca e de cabelo laranja mas sou a tua piolha, a tua ervilha. E tu és o meu peludo. Contas-me? Please?

- Bem...como te tinha dito, planeava contar a verdade a Neela enquanto estivesse em La Push.

-Sim.

- E contei.

- E?

- Ela chamou-me louco...e acabou tudo comigo...e agora... - a voz começou a falhar-me, num esforço de não chorar em frente a Cameron.

- Oh Jake. - abraçou-me e eu deixei as lágrimas saírem. - Estou aqui para tudo, sabes disso.

- Eu sei... - disse.

 

Ficámos ali abraçados um ao outro não sei quanto tempo mas assim que me consegui acalmar ela afastou-se e segurou-me na cara com as mãos e limpou-me as bochechas com os polegares. Sorriu e deu-me um beijo no nariz.

- Queres que fique contigo hoje?

- Não tens aulas amanhã? - perguntei.

- Dás-me boleia. - disse, rindo-se. Eu sorri.

- Está bem, então.

Fomos arrumar a cozinha e eu fui arranjar uma t-shirt extra larga para Cam e depois fomos para a cama. Sim pode ser um pouco estranho mas não queria mesmo ficar sozinho. Deitei-me e Cameron aproveitou-se logo do meu calor, colocando os seus pés gelados entre as minhas pernas. Arrepiei-me todo e ela riu-se.

- Que estavas á espera?? Tenho de aproveitar o meu aquecedor pessoal.

- Ok mas avisa primeiro. - disse rindo-me também.

- Ok, desculpa lobeco.

 

Apaguei a luz e adormecemos em pouco tempo, eu por estar cansado e Cam por estar quentinha. Pela primeira vez em dias, dormi bem, sem pesadelos e sem acordar a meio da noite. Cameron era a melhor amiga que alguém podia ter.

publicado por Suky ♥ às 21:41
link do post | Light Me | favorito
3 Moonlights:
De Filippa a 12 de Outubro de 2010 às 23:01
A Cam é mesmo fofinha, é o braço que ampara o Jake.
Gosto muuuuito da tua história, acredita
Mais mais mais :D


De Suky ♥ a 13 de Outubro de 2010 às 11:50
Aww brigado, eu também gosto muito da tua, é totalmente diferente :) Ando coladona na tua fic também :D


De Andrusca ღ a 10 de Novembro de 2010 às 21:55
Adoro a Cam +.+


Comentar post

Copyrights including the content and design of this blog

.About Me

.pesquisar

 

.Setembro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

12
13
14
15
16

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


.posts recentes

. Espiritos do Luar - Cap 6

. Espiritos do Luar - Cap 5

. Espiritos do Luar - Cap 4

.arquivos

.links

.Nuvens

estetica em
contador free