Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Domingo, 10 de Outubro de 2010

Midnight Howl - Cap 16

Neela

 

Quando acordei já era tarde. O relógio do quarto dizia que já era uma da tarde, mas apesar de ter dormido mais de 12h, ainda me sentia cansada. No entanto, sabia que não podia dormir mais, senão virava vegetal. Virei-me para o outro lado da cama e espreguicei-me. Sentia-me dorida e a minha garganta ainda estava arranhada, decerto que ainda estaria rouca se falasse.

Comecei a tentar lembrar-me do que tinha acontecido e como raio tinha sobrevivido. Lembrava-me de cair e lembrava-me de ter pensado que nunca mais ia ver o Jacob outra vez. Mas como raio não tinha sido esmagada pelo impacto da água? Não me conseguia lembrar... Comecei a reviver esse episódio uma e outra vez e lembrei-me, ao fim de algum tempo e não compreendi. Lembrava-me de cair mas pouco depois, alguém saltou atrás de mim. Reconhecia as roupas com que estava, era Jacob. Lembro-me de ele me ter agarrado mas como é que sobrevivemos ao impacto da água? Eu desmaiei, como é que ele não desmaiou também?

Questionei-me durante algum tempo mas não arranjei nenhuma explicação lógica. Passado algum tempo, alguém abriu a porta do quarto e eu virei-me para ver quem era. Era Jacob, a verificar se já tinha acordado. Sorri-lhe e ele entrou, deitando-se no pouco espaço que havia na cama. Encostei-me ao seu peito quente e aconcheguei-me.

- Então como estás hoje? - perguntou-me.

- Cansada e dorida, mas melhor. «Credo a minha voz está horrivel!!»

- Ainda bem. Sentes-te com forças de ir lá fora apanhar ar?

- Sim, desde que sejas a minha muleta durante uns metros. - sorri, olhando para ele e ele também sorria.

- Sem problemas.

 

Cheguei-me mais para cima e dei-lhe um beijo. Só de pensar que estive tão perto de nunca mais sentir os seus lábios, ou o seu calor... Nem queria lembrar-me disso.

- Bem, vou-te deixar vestir princesa. Espero-te lá fora ok?

- Ok.

Saiu do quarto e eu sentei-me na cama. A minha cabeça andou á roda durante uns segundos, tinha estado deitada durante muito tempo. Depois do chão deixar de se mexer, levantei-me e vesti-me, saindo do quarto, agarrada á parede. As minhas pernas estavam fracas, de não as ter mexido durante tanto tempo.

Jacob estava á porta e agarrou-me, colocando o seu braço á volta da minha cintura. Sorri e coloquei o meu braço igualmente á sua volta e saímos. Estava menos frio hoje, o que era bom sinal. Andamos devagar e fomos até á praia de La Push. Os restantes não estavam la, decerto que Jacob queria estar comigo sozinho, e eu também. Fomo-nos sentar nuns troncos de árvore e ficámos em silêncio algum tempo. Durante esse tempo lembrei-me do dia anterior e das perguntas que me surgiram nessa manhã. Tinha de lhe perguntar.

 

Jacob

 

Tinha levado Neela até á praia, onde sabia que o resto da alcateia não estava. Tinha-lhes pedido no dia anterior para hoje não irem á praia, queria contar a verdade á Neela, e precisava de fazer isso sozinho. Sentamo-nos nuns troncos para ela descansar e ficamos um pouco em silêncio. Estava a pensar na melhor maneira de iniciar a conversa mas não foi preciso. Neela falou primeiro.

- Jacob, como é que não desmaias-te quando me salvas-te ontem? - perguntou-me ela. Pude ouvir o seu coração a bater mais forte, com a expectativa da resposta.

- Neela... - comecei. Isto era mais dificil do que pensava ser. A ansiedade de contar e depois a expectativa de saber se sou aceite, fogo, era de dar em maluco!

- Sim?

- Tenho que te contar uma coisa.

- Estou a ouvir. - virei-me para ela, e ficamos frente a frente. Respirei fundo.

- Eu consegui salvar-te da queda, sem desmaiar e sem ser levado pela corrente porque... «Bolas, diz-lhe!»

- Porque? - encorajou-me.

- Ok, lembras-te da festa da fogueira? Das histórias que o meu pai e o Avô Ateara contaram? - perguntei-lhe. Talvez fosse melhor ir por este caminho.

- Sim, lembro.

- Bem...é tudo verdade.

 

Neela olhou para mim confusa.

- Como assim verdade? São lendas.

- Todas as lendas têm um fundo de verdade.

- Sim mas o que queres dizer? Que consegues transformar-te num lobo? - disse ela, com um sorriso de sarcasmo.

 

Nada lhe disse, porque o meu olhar dizia que sim, que era verdade. Neela perdeu o sorriso e olhou para mim incredula. A sua cara passou por várias fases: surpresa, confusa, chateada, confusa outra vez, incredula e finalmente negação.

- Só podes estar a brincar comigo Jacob.

- É tudo verdade Neela. É por isso que sou quente da maneira que sou. - disse-lhe. Ela não estava a acreditar, conseguia perceber isso.

- Não... - levantou-se, agarrando a cabeça com as mãos e afastando-se um pouco. Também me levantei mas não a segui. - Não, não não...

- Neela... - aproximei-me mas ela rejeitou o meu toque.

- Não me toques. Tu estás a dizer-me que és um lobisomem, que vampiros existem e estás mesmo á espera que acredite? Estás louco Jacob. Eu sabia que eras diferente dos outros rapazes, mas nunca pensei que fosses louco.

- Neela, estou a ser honesto contigo. Tenho que ser.

- Preferia que não tivesses sido.

- Mas não posso ter segredos contigo. Porque tive a impressão natural contigo.

- Tiveste o quê?

- Impressão natural. É como que uma marcação, sinto-me na obrigação de te contar toda a verdade, de te amar incondicionalmente, de te proteger. - disse-lhe, já desesperado.

- Pois bem, não tens de te sentir mais nessa obrigação. - disse ela. Podia ver que ela estava á beira de chorar, mas decidida a não dar parte fraca.

- O que queres dizer?

- Está tudo acabado Jacob. Não te quero mais ver a minha frente. Estás louco, precisas de ajuda. Vampiros e lobisomens não existem,é tudo ficção. Não passam de histórias! - aquelas palavras foram como facadas no meu coração.

- Neela, por favor, tens de acreditar em mim. - aproximei-me agarrando-lhe as mãos, mas nos olhos dela só via desilusão.

- Não Jacob. - a voz dela tremia, enquanto libertava as suas mãos das minhas. - Vou voltar para Nova Iorque e não quero que me procures mais.

 

Virou-me as costas e afastou-se. Não me conseguia mexer. O meu pior pesadelo tinha acontecido, tinha-se tornado realidade. Contei-lhe a verdade e ela achou-me louco, completamente maluco. A desilusão nos olhos dela não me saia da cabeça. Deixou-me, estava tudo acabado, tinha perdido a minha princesa.

A dor era demasiada para suportar, sentia o meu coração a rasgar, com cada palavra que ela tinha dito. Estava paralisado, não me conseguia mexer. Já se deviam ter passado uns 10minutos até conseguir reagir. Andei para a floresta, a tremer descontroladamente e não quis saber das roupas. Não me dei ao trabalho de as tirar antes de me transformar, e corri. Não sei durante quanto tempo corri ou onde estava, o que sabia era que não queria ver ninguém. Parei á beira do rio, deitando-me debaixo de uma árvore para me proteger da chuva e ali me deixei estar, a ver a água passar, enquanto a dor me consumia.

«Está tudo acabado Jacob. Não te quero ver mais.»

publicado por Suky ♥ às 11:42
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1 Moonlight:
De Andrusca ღ a 10 de Novembro de 2010 às 21:44
Ok, é definitivo, vais-me dar um ataque cardíaco -.-'
Adorei, mas tou a sofrer com isto!!


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