Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

Midnight Howl - Cap 12

Passei toda a semana a trabalhar que nem um tolo, sem um minuto para descansar. As minhas tardes de folga foram à vida, havia demasiada clientela para haver folgas, portanto era das 8h ate 20h sempre a trabalhar, parando para comer óbvio. Não tinha tempo para nada, nem para falar com a Neela nem mesmo com a Cameron.

Apesar de naquele domingo ter perdoado a Neela, ela percebeu que ainda estava um pouco chateado, portanto não falou muito, deixando-me arejar as ideias. Neste momento estava bem com ela, já tinha acalmado os meus sentimentos, ou melhor, o meu ego (de acordo com a Cam).

Era quinta feira e finalmente tivemos um dia mais calmo. Já estava a dar em maluco com tanto cliente. Neela apareceu por lá ao final da tarde para me dar boleia para casa. O meu fiel VW tinha ido para a oficina, tinha dado as ultimas, coitado.

- Olá! - disse ela, cumprimentando toda a gente.

- Olá. - saudamos nós, eu com um sorriso maior do que os outros. Já tinha saudades dela.

- Isto hoje está parado... - observou ela.

- Graças a Deus!! Ando a trepar pelas paredes já. - referiu Hank. Eu ri-me.

- Vieste cedo, só saio daqui a vinte minutos Neela. - disse-lhe.

- Eu sei mas quero lanchar primeiro. O costume Sr. Black. - riu-se.

 

Eu sorri e fui à cozinha fazer-lhe as torradas e o sumo de laranja. Ela comeu enquanto conversava com Frank sobre a faculdade e eu aprveitei para ir trocar de camisola, deixando a do trabalho pendurada no seu lugar e vestindo a minha tshrt preta. Saí e Neela já estava à minha espera.

- Vamos? - perguntei-lhe.

- Sim,vamos. Tchau Frank. Tchau Hank. - despediu-se e saimos

 

Saimos do café, estava um dia quente e muito bonito, o sol já se estava a pôr e iamos a conversar. Eu fui para o lado do passageiro e ela para o do condutor mas fomos interrompidos por uns piropos vindos do outro lado da rua. Eu olhei e era um grupo de surfistas que não conhecia, tinham um ar meio estranho mas não liguei. Até que percebi para quem eram os piropos: Neela.

Olhei para ela, e estava claramente incomodada, apesar de tentar não ligar. Um dos surfistas atravessou a rua para a abordar.

- Então boneca, não respondes? - disse ele, encurralando-a contra o carro.

- Ei desaparece. - disse eu, que já me encontrava à beira deles.

- Puto não tenho tempo para lidar contigo, que tal ires dar uma voltinha? - disse-me. Nem olhou para mim!!

- Não sei se já percebes-te mas ela não quer nada contigo. - informei-o tentando permanecer calmo mas não estava a ser bem sucedido. Aquele verme olhava para a minha Neela como se fosse um pedaço de carne e estava a passar-me.

- Jacob, tem calma... - disse-me ela, agarrando-me o braço. Nem a ouvi.

- Quê vais-me bater é?? - insinuou o surfista.

- Duvidas, seu verme?

 

Ameacei-o, andando na direcção dele. O calor começava a apoderar-se de mim, já sentia os tremores pela espinha. Só me apetecia arrancar-lhe a cabeça! Ele olhou melhor para mim e reparou que era capaz de o mandar para o hospital mas mesmo assim não desistiu.

- Jake, anda, vamos embora. - disse Neela, puxando-me para trás. Eu não resisti ao puxão dela e comecei a virar as costas ao verme.

- Ah precisas da namorada para te defenderes!

 

Não aguentei mais. Virei-me para trás, libertando-me da mão de Neela e dirigi-me a ele. Já sentia o sabor a sangue na boca, caracteristico de quando estou perto de me transformar e estava a tremer por todos os lados. O surfista fugiu a sete pés, quando me viu a ir na direcção dele e antes de conseguir agarrar aquele insecto de gente, fui agarrado por Hank pela cintura e Neela colocou-se àminha frente, pondo as mãos na minha cara, forçando-me a olhar para ela.

- Jacob, olha para mim. Jake! - olhei. - Está tudo bem, acalma-te.

 

Aquelas palavras foram o suficiente para me aperceber até que ponto estava irritado e forcei-me a acalmar. Não me podia transformar, tinha de relaxar. Os tremores diminuiram até desaparecerem por completo e relaxei as mãos, que estavam em punho desde que aquele insecto tinha abordado a minha razão de viver.

- Isso, está tudo bem, ele já foi embora. Anda vou-te levar a casa... - disse-me Neela, dando sinal ao Hank que era seguro largar-me e levou-me para o carro.

 

(...)

Chegamos a minha casa e ela desligou o carro, virando-se para mim. Eu começava a sentir-me mal por me ter descontrolado daquela maneira. Não consegui enfrentar o olhar dela.

- Jake?

- Hum...

- Estás bem?

- Sim. Desculpa se exagerei... - disse.

- Não tem mal, já não via ninguém defender uma pessoa assim há muito tempo. - sorriu.

- Passei-me, não suportei vê-lo a olhar para ti como um pedaço de carne. - cerrei os punhos outra vez e Neela pousou a mão dela na minha.

- Obrigado. - disse-me, dando-me um beijo na bochecha, que me relaxou imediatamente para libertar uma descarga eléctrica pelo meu corpo. - Venho-te buscar à meia noite ok?

- Ok. - sorri e saí do carro.

 

Fui para casa e tomei um banho gelado. Nem podia acreditar em mim mesmo, como me podia ter permitido a perder controlo daquela maneira. Tinha de aprender a controlar-me, era normal os outros rapazes olharem para ela e desejarem-na. Era bonita, mas era a minha princesa. Era ela o meu sol, o meu mundo girava à volta dela, não podia permitir que os rapazes a abordassem assim. Era meu dever protegê-la.

Vesti-me, umas calças de ganga escuras, umas all star vermelhas a combinar com a tshirt igualmente vermelha. Tentei pela primeira vez arranjar o cabelo mas foi um esforço desnecessário. Era impossivel dominar este cabelo!! Fui para a sala, encomendei umas pizzas para o jantar e liguei ao meu pai. Precisava de uns conselhos.

- Estou? - atendeu.

- Sou eu pai.

- Oh filho então? Não é normal ligares-me a esta hora... - observou ele.

- Pois, preciso de uns conselhos...

- Ah sim? Então que se passa?

- Bem, eu marquei uma rapariga como sabes. E ando a tentar levar as coisas devagar mas hoje um rapaz meteu-se com ela e eu passei-me completamente.

- Transformaste-te??? - perguntou ele, aflito.

- Não...mas estive muito perto. Só não aconteceu nada porque um amigo meu me segurou e ela acalmou-me.

- Ah, ufa. Por momentos preocupaste-me filho.

- Mas isto não pode acontecer. O que faço?? Não posso impedir que olhem para ela!

- Tens de aprender a controlar-te Jacob. Ela parece ajudar a acalmar-te os nervos, o que é normal. Os objectos de marcação têm como objectivo manter os lobos calmos e assentes na Terra.

- Hum ok.

- Com o tempo, o teu auto-controlo melhora, não te preocupes.

- Ok, 'brigado pai.

-De nada. Vai lá, tenho de ir jantar com a Sue.

 

Eu ri-me e desliguei o telefone. Então era perfeitamente normal ter acontecido o que aconteceu, tanto a parte da minha loucura como a parte em que o toque dela me acalme instantaneamente. Estava mais descansado...

 

**

 

Já estavamos na discoteca e o tema da festa era Colour Party. Tinha acertado na roupa, era proibido ir de preto ou branco, tinha de ser tudo colorido. Na entrada havia baldes com tinta fluorescente, daquelas que brilham no escuro. Neela imediatamente pintou-me uma bochecha com um coração e a outra com uns bigodes «Que ironia!». Eu pintei-lhe uma bochecha com um smile e a outra com um coração, para combinar com a minha pintura.

Entrámos e ficamos imediatamente brilhantes, tal como todas as outras pessoas na festa. Neela levou-me para a pista de dança e dançámos durante bastante tempo, ela sempre a sorrir. Os nossos sorrisos reluziam debaixo da luz UV da discoteca e isso só nos fazia rir ainda mais. A musica estava excelente e eu estava a divertir-me imenso.

Quando bateram as 3h o DJ anunciou que estava na hora de dar mais cor a esta festa e toda a gente gritou entusiasmada. Do tecto caiu uma espécie de pó colorido e brilhantes e todos nós ficamos manchados de diferentes cores. Eu e Neela estavamos a olhar para o tecto a ver o pó cair e a rir-nos. Olhei para ela, e sorri. Estava tão bonita, apesar das brilhantinas todas no seu cabelo. Ela olhou para mim e os nossos olhares cruzaram-se. Estava tão caídinho por ela, meu deus... Naquele momento parecia que ela estava a pensar o mesmo, da maneira como olhava para mim.

Não planeei nada disto mas sentia uma força a puxar-me para junto dela e instintivamente coloquei as mãos na cintura dela e ela no meu peito. Aproximei-me lentamente, sem tirar os meus olhos dos olhos dela. Ela percebeu o que eu queria e sorriu, aproximando-se também. Os meus lábios encontraram os dela e foi como se tivesse apanhado um choque. Uma descarga de energia percorreu o meu corpo e deixei de ouvir a música, deixei de saber onde estava e nem queria saber onde estava. Só queria saber quem estava nos meus braços e era o que me bastava. Parecia que os nossos lábios tinham sido criados especificamente um para o outro, porque foi o beijo mais perfeito que podia imaginar. Não sei quanto tempo tinha passado mas não queria que chegasse ao fim. Estava no paraíso e não planeava abandoná-lo, nunca mais.

música: Kesha - Take It Off
publicado por Suky ♥ às 16:25
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4 Moonlights:
De Andrusca ღ a 2 de Novembro de 2010 às 19:07
Eu odeio-te tanto, sabias? Não é justo! Eu já era para ter parado de ler há dois capítulos atrás para ir estudar a não consigo! Se tirar má nota a português a culpa é tua :c
Isto é viciante rapariga!


De Suky ♥ a 2 de Novembro de 2010 às 19:09
Desculpa x) Mas português não tem nada que saber vais ver que corre bem. Mas se te sentes insegura descola do ecrã!!! A tua mãe ainda me bate xD


De Andrusca ღ a 2 de Novembro de 2010 às 22:06
haha, vou-lhe dizer que a culpada és tu e dps tás feita xD
ainda tenho amanhã para isto, português que vá dar uma voltinha (a)


De Joana a 30 de Dezembro de 2010 às 22:40
Estes encontros deles são sempre tão giros. Adoro


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