Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Domingo, 28 de Agosto de 2011

Espiritos do Luar - Cap 2

A noite já ia avançada quando os jovens caçadores se embrenharam na floresta. Os mais velhos e experientes iam espalhados no grupo, um a mostrar o caminho, um no meio e outro no fim do grupo, não fosse nenhum animal decidir atacar por trás. Os animais não eram para brincadeiras. Normalmente não causavam qualquer tipo de problemas, preferiam manter-se longe do perigo e evitar confrontos. Mas este caso era diferente. Eles sabiam, pressentiam na sua pele que hoje era dia de caça, e qualquer animal que se sente em perigo, ameaçado ou assustado não foge. Ataca. Hoje os Achak não iam correr riscos, era a primeira grande caçada dos rapazes, precisavam de chegar em segurança à clareira dos veados.

                Nihar e Kiju permaneciam juntos. Conheciam os outros rapazes que iam caçar com eles, mas preferiam a companhia um do outro, fazia-os sentir menos nervosos e mais confiantes. Durante semanas praticaram o lançamento das lanças e das setas contra árvores velhas que estavam tombadas junto do rio, para melhorar a sua pontaria e a força com que mandavam as armas para calcularem distâncias. Sentiam-se preparados mas não se devia subestimar os animais, eles eram espertos, mais do que muitas tribos achavam. A caminhada até à clareira não era muito longa, mas seria demorada, pois tinham que se deslocar com o minimo de barulho, para não avisar os animais da sua chegada. Os mais velhos já sabiam como correr sem fazerem barulho mas os mais novos ainda estavam em treino, portanto mais valia demorarem e chegarem à comida do que perder uma refeição para chegarem mais cedo a casa.

                Já iam a meio do caminho quando Adahy, o membro mais velho que ia na frente do grupo, deu sinal para pararem. O grupo todo cessou o movimento e ficaram atentos ao que se passava ao seu redor. A princípio nada ouviram e Nihar começou a achar que era Adahy a tentar assustá-los, como um teste para ver como se comportavam. Então ouviram um rosnar, vindo do flanco esquerdo. Os mais novos reagiram logo apontando as lanças e os arcos de flecha para lá, mas os mais velhos, muito calmamente, deram sinal para todos se baixarem. Apesar de apreensivos com esta técnica, os jovens caçadores assim fizeram. Todos se colocaram de cócaras, firmemente agarrados às armas, e esperaram. Adahy tirou uma seta da bolsa que trazia às costas e lentamente colocou-a no arco. E esperou. Ouviu-se outro rosnar, desta vez mais longe, e passado uns segundos Adahy voltou a relaxar. Prosseguiram caminho, sempre em silêncio. Nihar queria saber que animal teria rosnado mas sabia que só podia perguntar quando chegassem a casa no dia seguinte.

                Finalmente chegaram à clareira, em breve o sol iria nascer, expondo-os á luz do dia. Tinham que aproveitar a vantagem que a escuridão lhes proporcionava para apanharem os veados distraídos. A sua visão nocturna é fraca, mas contam muito na audição para se manterem protegidos. Neste momento, era crucial não fazerem barulho. Adahy deu sinal aos rapazes que a partir de agora era com eles, que apenas ficariam a observar na eventualidade de algo correr mal, como o macho alfa virar-se a eles.

                Nihar pegou no arco e numa flecha, respirou fundo e juntamente com Kiju avançaram mais um pouco para escolherem um animal. Eles tinham um plano: achavam que tinham mais vantagens se caçassem em conjunto, pois seriam dois contra um. No entanto, era necessário cada um levar o seu animal, para provar que o tinham caçado, portanto continuavam a precisar de caçar dois veados. Tinham então combinado que caçariam um de cada vez. Eles vasculharam a manada em busca de um elemento digno de ser caço mas não demasiado grande, o que tornava a situação perigosa, nem demasiado pequeno, para garantirem um futuro para a manada. Os outros rapazes tomaram as suas posições em redor da manada e escolheram as suas presas. Era imperativo que todos atacassem ao mesmo tempo, se alguém se antecipasse os veados fugiriam e a caçada estava arruinada.

                Quando viram que estavam todos prontos, Nihar deu sinal. Flechas e lanças voaram através da clareira, ferindo os alvos pretendidos. Imediatamente todos saíram dos seus esconderijos e dirigiram-se ao seu animal. Os Achak consideravam os animais como iguais, não se achavam superiores, portanto uma morte rápida era muito importante para eles. Nihar aproximou-se do seu veado que estava deitado com uma seta espetada no seu flanco esquerdo. Sem hesitar Nihar pegou na sua faca que trazia presa na cintura, num cinto feito de cânhamo, e passou-a no pescoço do veado. Rapidamente este deixou de se debater. 

                Todos tinham caçado um veado com sucesso.

 

**

 

                Sashi estava no riacho com a mãe a colher algumas pedras para os cestos que iam fazer. Os Achak eram bastante conhecidos não só pela sua coragem em batalhas mas também pelo seu artesanato, nomeadamente os cestos. As pedras serviam para enfeitar os cestos. Regressaram à aldeia e as raparigas mais novas, juntamente com as suas mães sentaram-se num circulo. Enquanto uma fazia o cesto em si, entrelaçando as plantas umas nas outras até ganharem a forma pretendida, a outra preparava as pedras e colocava-as num fio feito de fibra de cha’tey1 para serem depois cozidas no cesto e enfeitá-lo.

                A hora do almoço já tinha passado quando os jovens caçadores chegaram. Toda a gente correu em seu encontro, principalmente para os ajudar com os animais, que pesavam vários quilos mais que os próprios rapazes. Mehul, sendo o curandeiro da aldeia, tinha a responsabilidade de fazer um pequeno ritual à chegada dos caçadores, para lhes dar os parabéns por uma boa caçada e para que o animal descansasse em paz. Sendo assim, todos os rapazes se colocaram numa fila única horizontal, de frente para Mehul. Este trazia o seu grande chapéu de penas de águia, o seu colar de ossos das garras de um urso - animal que matou quando tinha 16 anos – e um prato feito de uma pedra que encontrou no riacho, que tinha uma superficie côncava. Nesse prato tinha a arder folhas de salgueiro, que se acreditava curar o espirito e o corpo de algum mal que tivesse entrado na jornada. Com uma pena lançava o fumo em direcção a cada um dos rapazes.

                No final da cerimónia, os homens mais velhos e fortes pegaram nos animais e levaram-nos para serem esfolados. As peles seriam lavadas pelas mulheres e preparadas para serem depois cozidas, para as roupas de Inverno e para o revestimento das casas. A carne era cortada em pedaços e conservada numa mina ali perto, que mantinha os alimentos frescos por mais tempo. Algumas das partes foram colocadas de parte para a festa dessa noite, em celebração da grande caçada. Os rapazes eram oficialmente homens, e Mehul e Jayce não podiam estar mais orgulhosos do seu filho, tal como Sashi não podia estar mais contente pelo irmão mais novo.

 

1 - junça

 


ora aqui está o 2º :) continua a estar secante, como digo são os primeiros capitulos, a história anda mais lenta. Mas a partir do 3º começa a acelerar não se preocupem xD Que acharam? :P

publicado por Suky ♥ às 16:47
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2 Moonlights:
De Andrusca ღ a 28 de Agosto de 2011 às 21:00
Boa, eles conseguiram :D
Que animal tinha sido aquele?...
Eu gostei ^^


De Cate J. a 29 de Agosto de 2011 às 20:04
adorei *-*
é diferente e eu gosto disso, também só escrevo de coisas diferentes xD (agora, porque antes era só vampirada xD)
já me entendo mais ou menos com os nomes xD


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