Espiritos do Luar é baseado nas histórias e lendas das tribos Cherokee, Wappo e Karok. Os nomes são inventados e a história em si é ficcionada.
Quinta-feira, 25 de Agosto de 2011

Espiritos do Luar - Cap 1

             

Hina. É o nome que a tribo Achak dá á sua adorada lua. A lua tem um significado especial para os Achak, assim como o sol. A lua permite que os peixes subam o rio sempre na mesma altura do ano, proporcionando um vasto abastecimento de comida para o Inverno. O sol ajuda as colheitas a crescer.

                Os Achak moram perto de um riacho, onde as casas se espalhavam para o interior da floresta até uma pequena clareira onde se encontra a casa do chefe da tribo, Tuksui. Tuksui já era chefe da tribo desde os seus 20 anos de idade; era um bom líder, com os pés assentes na terra e a cabeça no lugar. Desde que o seu pai morreu numa guerra com a tribo vizinha, que Tuksui tinha conseguido manter a paz entre as tribos. Mas como qualquer outra pessoa, o tempo acaba por nos acompanhar, e Tuksui em breve terá que nomear um sucessor. Esse sucessor seria o seu filho mais velho, Karuk.

                Karuk era um rapaz jovem, forte, bom caçador e igualmente atraente. Era muito falado entre as raparigas mais jovens da tribo, apesar de ele não dar atenção ao assunto. Ele sabia que o pai é que iria escolher a sua futura mulher antes de ser substituído no trono. Era a tradição, os pais decidiam pelos filhos com quem iriam casar. Neste momento Karuk podia apenas tentar adivinhar qual. Havia várias raparigas bonitas na tribo, mas não se ligava só à beleza quando se escolhia uma mulher ou marido, conforme o caso. Procurava-se inteligência, capacidade de poder dar uma boa vida um ao outro e em parte estava o interesse dos pais juntarem as duas famílias, por amizade ou por ganharem alguma coisa com isso como estatuto. Mas Karuk não estava preocupado, o pai ainda estava com saúde e com capacidades para continuar a liderar, portanto não estaria comprometido com ninguém durante algum tempo.

                Na hierarquia dos Achak, estava primeiro o chefe juntamente com a mulher e em seguida o curandeiro da aldeia. Mehul era o actual curandeiro da aldeia e a sua mulher Jayce, apesar de não ser curandeira nem filha de curandeiros, ajudava-o nos rituais com o que pudesse. Mehul e Jayce tinham dois filhos, Sashi e Nihar, ambos jovens com espíritos de grande liberdade e donos do seu nariz. Sashi era a mais velha, tinha completado há duas luas atrás 19 anos e o seu irmão Nihar tinha apenas 16. Sashi e Nihar eram bastante unidos, apesar de Nihar começar a ter as suas próprias ideias e maneira de ser, que eram ainda algo diferentes de Sashi.

                Sashi saía ao pai, preocupava-se com o mundo dos antepassados, com o equilíbrio natural. Esta era a principal razão que levou Mehul a escolher Sashi como a próxima curandeira. Por tradição, eram sempre os homens a ter este tipo de trabalho, mas como Nihar era demasiado novo e não tinha o mesmo tipo de interesse como Sashi, Mehul decidiu escolher a filha mais velha como sua sucessora. Sashi já sabia disto, o pai tinha-a informado na noite anterior da sua decisão. Ficou contente mas algo apreensiva pois ser curandeira dá-lhe uma grande responsabilidade, que não tinha a certeza que queria ter. Ela gostava de fazer o que lhe apetecesse, ser livre era a maneira de ela ser. Mas infelizmente sabia que não seria assim. Com a idade vêm os deveres e a responsabilidade de tomar conta de alguém. Em breve estaria prometida a um dos jovens da aldeia, casaria e então a obrigação de ter filhos. A ideia era no mínimo, bastante desagradável.

                Nihar por outro lado, não pensava em raparigas. Estava muito longe de ter que se preocupar com tal assunto. Ultimamente a sua principal ocupação era tornar-se num verdadeiro caçador. Todos os rapazes, quando novos, começam a aprender a fazer as suas próprias lanças e setas, como fazer as redes para a pesca do salmão e das trutas. Esse é o trabalho dos homens: caçar e construir. O trabalho das mulheres era cozinhar e colher os materiais necessários para a construção das casas e das roupas. Nihar tinha finalmente atingido a idade em que aprende a caçar animais grandes, como os alces e os veados, que vagueiam pelo vale. A pesca é a primeira coisa que aprendem, pois é o animal que os Achak mais comem, por haver em grande abundância. Hoje estava com o seu grande amigo Kiju a preparar as suas lanças e setas para a caçada do dia seguinte. Tinham ambos a mesma idade, e se amanhã conseguissem caçar um animal, seriam finalmente considerados homens aos olhos da tribo inteira. Estavam ambos nervosos mas mal podiam esperar que o sol fosse dormir para a lua poder encher-lhes o corpo e o espírito com força e sorte para a madrugada seguinte.

                Iria haver uma grande cerimónia nessa noite para abençoar os caçadores e os animais que seriam mortos pelo bem da tribo. Toda a tribo tinha que se dirigir para a casa sagrada, lá bem dentro da floresta para honrarem os jovens que partiriam crianças, mas regressariam homens. O sol finalmente começou a pôr-se e Rani, mãe de Mehul, saiu da tenda para chamar os netos.

- Nihar, vamos embora que se faz tarde. Tens que te vestir e o teu pai já tem as tintas prontas. – disse a avó.

- Sim avó. – respondeu Nihar.

- A tua irmã? Já a procurei por todo o lado mas não a encontro.

- Não sei, suponho que esteja com a Poonam a colher a fruta.

- Ok. Tu vai indo para casa, que eu vou chamá-las. – disse Rani enquanto Nihar corria para casa.

                Apesar de já não ter a energia ou a agilidade de outros tempos, Rani ainda conseguia mover-se sem grandes dificuldades. Rapidamente chegou á plantação de lew’shay1 onde a sua neta Sashi e a filha do chefe Poonam estavam.

- Sashi, Poonam já estamos atrasadas, vamos embora. – disse Rani mal as avistou ao longe.

- Viemos buscar isto para a cerimónia avó. – respondeu Sashi, enquanto colocava mais umas folhas de lew’shay no cesto que Poonam trazia debaixo do braço.

- Já têm o suficiente. Vamos lá.

                Sashi e Poonam pegaram nas restantes folhas dos ramos da lew’shay e foram as duas a correr para a aldeia. Sashi levou o cesto ao pai para ele preparar a cerimónia e regressou depois à sua tenda para se vestir para a cerimónia. Lá dentro estava a mãe a ajudar o irmão a vestir-se. Já estava todo pintado, com linhas brancas e vermelhas no rosto e palmas brancas no peito. Jayce estava agora a colocar-lhe a coroa de folhas e penas na cabeça. Sashi foi buscar o seu colar de conchas azuis e rosas, que a avó lhe tinha dado quando tinha completado os 15 anos de idade, e colocou duas penas na ponta da sua longa trança de cabelos negros como a noite. Era esse o significado do seu nome, noite. Era a altura do dia que ela mais gostava e a altura em que normalmente escapava para passear.

 

                A cerimónia era feita na casa sagrada. Hoje 5 rapazes iniciavam a sua vida como homens. Para os acompanhar iam dois caçadores, mais velhos e experientes, para assegurar que tudo corria bem, sem acidentes. Os familiares sentavam-se nas bordas da tenda enquanto no centro da tenda ardia uma pequena fogueira, onde estavam os jovens caçadores reunidos, esperando a benção dos espíritos. Mehul colocou as folhas de lew’shay a arder dentro do cachimbo feito de osso de veado. Fez o cachimbo passar pelos rapazes; esta seria a sua primeira vez a fumar lew’shay. Tinha um efeito calmante no corpo, o que seria necessário para a caçada ser bem sucedida.

                Durante a cerimónia havia um grupo de pessoas, normalmente os mais velhos, que cantavam para chamar os espiritos da lua e do sol, para abençoar os caçadores e os animais, para que os caçadores regressassem a casa sãos e salvos, e que os animais caçados tivessem uma morte rápida e limpa, sem sofrimentos. No final da cerimónia, os rapazes partiam para a floresta, e só regressariam ao final do dia, do dia seguinte.

                Sashi estava orgulhosa do seu irmão, e não tinha quaisquer dúvidas que ele seria capaz de caçar um veado. Sashi e Jayce viram o jovem rapaz infiltrar-se na floresta; partia criança, mas regressaria um homem no seu lugar.

 

1- tabaco

 


ora bem aqui está o primeiro capitulo :P espero que tenham gostado. como seria de esperar o 1º capitulo nunca é nada de emocionante, é uma apresentação das personagens e as suas relações bla bla bla

anyway, espero que alguém leia isto e que ache interessante xD

publicado por Suky ♥ às 15:50
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4 Moonlights:
De Vitor a 25 de Agosto de 2011 às 17:11
Eu achei interessante, deu para conhecer a base das personagens e assim podermos ter um guia ao longo da história :)
Estou curioso em relação ao que vai acontecer a seguir xD
Continua a escrever assim
Bjs de um amigo :D


De Cate J. a 25 de Agosto de 2011 às 19:16
Adorei :D
vou ter de me habituar é aos nomes xD se eu com nomes normais já me esqueço quanto mais com estes xD mesmo assim acho-os bonitos
Aposto que pesquisaste muito :o
adorei ^^


De Cate J. a 25 de Agosto de 2011 às 23:03
Isso só mostra a tua imaginação :)


De Andrusca ღ a 26 de Agosto de 2011 às 11:27
Ahah, eu concordo com a Cate J, faço bué confusão com os nomes :o
Mas isto vai ao sítio xD
Acho que está interessante, foi uma ideia fixe ^^


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